
Estratégias
do Marketing de GUERRILHA
Alternativa
criativa e de baixo custo para atingir o público certo.

Responda rápido:
por quantas mensagens publicitárias você é abordado
por dia? Claro, impossível saber com a imensa quantidade de estímulos
que recebemos simplesmente ao caminhar pela rua. Isso sem contar as
informações despejadas pela televisão, jornais,
cinema, internet e qualquer outro lugar onde tudo briga por ao menos
um minuto da sua atenção.
A ânsia de
causar algum impacto no consumidor é tanta, que os meios acabam
se canibalizando. E não é preciso ir muito longe para
ter exemplos disso. Passe por qualquer grande avenida da cidade e observe
os outdoors. Colocam uns em cima dos outros e vários acabam sendo
completamente escondidos pelo que está na frente. De qualquer
forma, invariavelmente tudo acaba virando paisagem, após alguns
dias, fazendo parte do mesmo cenário.
Isso não
quer dizer que a mídia convencional seja ruim, pelo contrário,
mas são métodos não tão mais eficazes como
antes. A publicidade, como a conhecemos, necessita mais do que nunca
do suporte de mídias alternativas, ações ousadas
e outras ferramentas de comunicação.
Uma dessas novas
fórmulas é o Marketing de Guerrilha, que tem como principal
proposta fazer um barulho diferente dos outros. A função
de uma boa ação de guerrilha é exatamente furar
esse congestionamento do mercado - no qual milhares de produtos gritam
por atenção - e posicionar a marca ali, na rua, lado a
lado com o consumidor.
Isso se consegue
com agilidade, ousadia e surpresa, que, ao invés de incomodar
as pessoas com mensagens indesejáveis e interrompê-las
durante sua leitura ou programa de televisão favorito, passa
a colocá-las como parte integrante do meio gerando uma maior
identificação com a marca.
O marketing de guerrilha
tem como preceito gastar muito mais energia do que dinheiro, consumido
aos milhões pelas gigantes campanhas convencionais. Outra vantagem
é a resposta rápida que uma comunicação
do tipo pode causar. O resultado é imediato, gerando muitas vezes
repercussão em mídia espontânea devido ao ineditismo.
Um recente exemplo
de marketing de guerrilha foi a fantástica ação
desenvolvida para a rede de cafeterias Starbucks , nos Estados Unidos,
pela agência Clear Channel Taxi Media. A idéia consistia
em deixar copos de café "esquecidos" nos tetos de cerca
de 50 táxis em Boston. As pessoas nas ruas olhavam e apontavam
tentando avisar o motorista de que ele tinha deixado um copo em cima
do carro.
A guerrilha se dá
sempre assim, propondo formas básicas de comunicação
e mídias baratas como adesivos, grafites e stencils em muros,
lambe-lambe, ações de corpo-a-corpo, shows relâmpagos,
instalações, projeções e etc.
Um exemplo de projeção
vem da revista inglesa FHM, que precisava de uma ação
que repercutisse na mídia nacional, promovendo a sua eleição
anual das 100 mulheres mais sexy da Inglaterra. Para divulgar a edição
e estimular as pessoas a votarem, foi projetada a imagem de uma das
concorrentes preferidas, Gail Porter, nua no Parlamento inglês.
Com ajuda de um plano de assessoria de imprensa específico, a
ação atingiu 40 milhões de pessoas.
Isso se chama PR
Stunt, uma das principais táticas do marketing de guerrilha para
falar diretamente com o público-alvo e potencializar estes fatos
na mídia. A Espalhe , agência de marketing de guerrilha
do Brasil, criou um PR Stunt para o portal BrTurbo . O resultado teve
ampla cobertura dos grandes jornais do país e totalizou 13 minutos
de mídia não-paga na televisão.
A ação,
que aconteceu em 2003 no centro de Porto Alegre, consistia em encher
um saco de pipoca de 4.2 metros. Foram necessárias 5 horas e
59 minutos para produzir toda a pipoca e literalmente encher o saco.
O feito conquistou o recorde mundial do Guinness Book e se mantém
até hoje como o maior saco de pipocas do mundo.
Ações
de rua também são essenciais para um bom marketing guerrilheiro.
Para o lançamento do seu canal masculino FX , a Fox mandou para
as ruas mulheres em trabalho de homem. No lugar dos barbados, mulherões
com minúsculos shorts e tops lavaram o pára-brisas dos
carros nos principais sinais de trânsito de São Paulo.
Falando nisso, outra
indispensável ferramenta para o marketing de guerrilha é
a internet. Hoje em dia toda empresa, por menor que seja, tem uma presença
online. O problema é que a grande maioria tem uma presença
passiva, ou seja, não explora a principal competência desta
mídia: a interatividade, a troca com a audiência. E é
na internet que entra em ação o marketing viral, que faz
com que as pessoas alastrem uma idéia espontaneamente. Isso pode
começar por um arquivo mpg até um descanso de tela bonitinho,
passando por filmes, fotos, blogs etc.
Coincidência
ou não, as 5 marcas mais influentes do planeta foram construídas
amparando-se também no marketing de guerrilha. De acordo com
pesquisa da Brand Channel, divulgada na Isto É Dinheiro, as marcas
são pela ordem:
1ª Apple -
Utiliza blogs, virais e cartazes lambe-lambe. Sem absolutamente nenhuma
propaganda veiculada no Brasil, transformou o iPod no maior desejo de
consumo do país
2ª Google -
Guerrilheiro por natureza. Pensa os produtos com criatividade de guerrilha.
O Gmail, graças à sua concepção "por
indicação", foi disputado em leilões no ebay.
3ª IKEA - Nos
seus planos de comunicação sempre trabalha com guerrilha
integrada à propaganda inteligente baseada em memes. Cliente
da agência de guerrilha holandesa Strawberry Frog.
4ª Starbucks
- Fez concorrência no ano passado para contratar uma agência
de guerrilha e RP e sua última ação foi a já
citada colagem de copos de cafés "esquecidos" em tetos
de táxis.
5ª Al Jazeera
- guerrilheira literalmente, desbancou a CNN na transmissão de
conflitos no mundo árabe.
Enfim, fica claro
que o marketing de guerrilha será uma ferramenta de comunicação
obrigatória no futuro. Empresas que quiserem deixar suas marcas
gravadas não só na cabeça, mas também no
coração dos consumidores, terão que procurar alternativas
às mídias convencionais.
No Brasil o marketing
de guerrilha ainda está começando, ao contrário
de países como Inglaterra, Estados Unidos e Holanda, onde as
empresas já destinam parte de suas verbas apenas para ações
guerrilheiras. Os anunciantes brasileiros têm medo de arriscar,
de ousar e continuam achando que um folhetinho e um anúncio no
horário nobre resolverão todos os seus problemas. Mas,
felizmente, o caminho natural das coisas mostra que esse pensamento
está começando a mudar.
I Voltar
para seção Imprensa