Saiu no JB: Arte que vem da rua 
Artista urbano leva suas peças para a Casa da Matriz
Gilberto de Abreu
O estudante de comunicação social Mario Lima Cavalcanti, 26 anos, também conhecido como ''86'', é um dos muitos artistas urbanos que o Rio de Janeiro ainda pode conhecer. Sua arte - já colada em tapumes do Museu Nacional de Belas Artes, no Centro da cidade, e nos arredores de rampas de skate em Niterói - estará a partir de hoje na Casa da Matriz, clubinho alternativo de Botafogo. Com as obras expostas na passagem para a pista de dança, ele espera mostrar um pouco mais da cultura que usa as ruas como galeria para peças gráficas e que costuma ser confundida com vandalismo:
- Não saio colando pôsteres em qualquer lugar. Costumo colocá-los em tapumes de obras, onde isso é permitido. É preciso separar arte urbana de vandalismo, porque por trás de tudo isso existe paz, conceitos, estéticas, mensagens. Minha intenção é acabar um pouco com o preconceito.
Com um pé na síntese das formas do construtivismo russo e outro na explosão das cores da pop art, ''86'' funde as duas escolas de arte numa só para criar suas peças, feitas sobretudo de pôsteres e adesivos. Sempre à procura da superfície perfeita para deixar o seu recado, ''86'' criou até um personagem para demarcar seu território na urbe: Nego Bom. O personagem é uma mistura de Bob Marley com Michael Jackson, pois traz a cara do primeiro e o cabelo do segundo na era Jackson Five.
- Nego Bom é o meu personagem-símbolo. Foi criado a partir de uma foto antiga do Bob Marley - explica o artista, que cursou direção de arte para aprimorar o layout de suas criações.
Com esse trabalho, ''86'' se apropria da linguagem das mídias usadas com finalidade comercial.
- A sociedade está acostumada a ver publicidade e mais publicidade. Quando surge algo inocente como um sticker ou um pôster artístico com a mesma forma artística de uma propaganda, isso gera reflexões - diz ''86'', que faz arte urbana desde 1999.
Hoje, os cartazes de ''86'' têm uma bossa especial: um espaço reservado a comentários. Por enquanto, a população ainda não se manifestou, mas outros artistas urbanos têm impresso seu recado.
- A idéia é permitir ao público fazer contra-intervenções. Acho bacana esse diálogo que a arte urbana vem promovendo nos dias de hoje, não só nas ruas como na rede. Os artistas vêm trocando trabalhos, reconhecendo as linguagens - diz ele, que tem dois endereços na internet: www.fotolog.net/86corp e www.86corp.com.
Através deles, ''86'' vem conhecendo artistas de todo o mundo e com eles trocando figurinhas.
A exposição de ''86'' na Casa da Matriz (Rua Henrique de Novais 107, Botafogo) fica em cartaz até o dia 30 de maio, sempre durante a noite.

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