Quem entendeu x quem não entendeu
Três grandes veículos de imprensa publicaram matérias sobre marketing de guerrilha no último domingo. A primeira foi uma boa matéria na Folha de S.Paulo, falando sobre os grafiteiros de São Paulo. Segundo a repórter, São Paulo está entre os três principais centros de produção de grafite do mundo. A outra matéria, com duas páginas, saiu na Revista da Folha. O texto mostra a essência da arte guerrilheira ao contar a história dos moradores de um vilarejo francês, onde morou Gauguin, que espalham pinturas inusitadas por todo o lado. Por fim, na Veja São Paulo, o repórter meteu o pau em lambe-lambes que, segundo ele, emporcalham a cidade. Esse não entendeu nada. Confira abaixo.
Folha de S.Paulo - Fernanda Mena
No caos visual de São Paulo, que nenhuma operação Belezura (projeto da prefeitura para limpar muros e fachadas da cidade) parece dar conta, há um colorido anônimo, cheio de formas, que se revela entre a pichação extrema e a multiplicação da publicidade.
Vandalismo para uns, arte urbana para outros, o grafite toma de assalto a paisagem, subverte tanto o cinza de São Paulo quanto as letras ilegíveis espalhadas pelos pichadores e incrementa o delírio de imagens da cidade.
Em São Paulo, ele está por toda parte, já seduziu muito jovem de classe média a andar com sprays na mochila e vem despontando mundo afora como um dos melhores e mais criativos que há. (...)
Revista da Folha - Alexandre Staut
Vacas azuis pastando em campos de grama laranja, cavalos verdes em estábulos vermelhos, serigrafias de tratores no campo, mulheres colhendo endívias ou crianças dançando. As cenas estão em bistrôs, na padaria, em placas nas estradas e até no açougue do vilarejo de Pont-Aven (a 320 km a oeste de Paris), no departamento do Finistére.
Nesse burgo de 3.200 habitantes e economia rural, cerca de 50 moradores passam parte do tempo pintando o cotidiano bucólico com cores inusitadas. Nenhum desses artistas pertence à chamada L'Ecole de Pont-Aven, uma confraria fundada em 1886 pelo impressionista Paul Gauguin, que viveu no lugar, também pintando cavalos. Os novos pintores do vilarejo fazem seu trabalho a partir de cópias de fotografias pintadas com técnicas de serigrafia à la Andy Warhol, artista americano símbolo da pop art.
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Para os pintores do burgo, pouco importa que seus quadros não estejam expostos no pequeno e charmoso museu de Pont-Aven, que guarda pastéis, manuscritos e quadros de Gauguin, Henry Moret, Emile Bernarde, entre outros grandes nomes. "O museu nos menospreza de certa forma. Fecha os olhos ao nosso trabalho", diz Le Bras.
Quando o verão se anuncia, uma centena de telas são penduradas nas janelas das casas, em postes e até nas árvores de Pont-Aven. "Nossa arte é a verdadeira arte pop, todos podem vê-la sem ter que pagar por isso", filosofa Le Bras.
Foi dessa forma, nas ruas, que muitos galeristas franceses passaram a conhecer e a admirar o trabalho do povo de Pont-Aven. "Já emprestamos quadros para uma dezena de exposições em toda a França. Somos orgulhosos disso. Só dizemos não quando aparecem galeristas esnobes de Paris", alfineta Babeth.
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Veja São Paulo - Rodrigo Pereira
Os paulistanos que passam por avenidas como Brigadeiro Faria Lima, Rebouças, Nove de Julho, Nações Unidas e Juscelino Kubitschek se deparam diariamente com uma propaganda irregular que torna ainda mais caótica a poluição visual da cidade. São os lambe-lambes, aqueles cartazes com anúncios de shows, casas noturnas, lançamentos fonográficos, programas de rádio e séries de TV colados em muros e postes. De acordo com a lei de crimes ambientais, quem "pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano" – o que no caso se aplicaria aos coladores de cartazes – pode ser condenado a passar de três meses a um ano na prisão, além do pagamento de multa. Em 2003, foram instaurados 65 inquéritos para apurar crimes dessa natureza em São Paulo. Ninguém foi preso. "Por ser um crime de menor potencial ofensivo, com pena inferior a dois anos, o contraventor nem precisa pagar fiança", diz o delegado José Roberto Pedroso, titular da Delegacia do Meio Ambiente, que conta com dez policiais para cuidar destas e de todas as ocorrências que envolvam a degradação ambiental na capital. "Além disso, no caso de propriedades privadas, só podemos agir depois que o dono do imóvel registra queixa."

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